quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Momentos...





                                                   Imagem disponível em: http://essa-vale-a-pena-ver.blogspot.com.br/2011/11/o-sonho-das-arvores.html


Viver o agora
    sentir o presente
          simplesmente sem estar 
                                          ausente

o momento é intenso
         As oportunidades são únicas
as opiniões são diversas
        O Ser é simplesmente 
                                           o estar....


Luciene Rêgo
26/07/2016

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

À Sombra da Jaqueira



Imagem disponível em: < https://revistanatureza.com.br/meu-pe-de-jaca/>. Acesso em 13 Mai 2021


À sombra da jaqueira
recém-chegada em Brasília
curtindo a natureza da UnB 
pensando em você

Ouço som de pássaros cantando
deitada na minha canga colorida
relaxando após o almoço
lendo meu livro da Alzira

Entre a África que está no livro
e os ciclistas que vão passando
as jacas amarelinhas ficando
escutando um som ecoando na minha mente

Agora há pouco saí de um samba
aqui mesmo nas imediações
samba de recepção da calourada
e o pássaro sobrevoa cantando em disparada

De repente uma mochila se arrasta
um casal de namorados por aqui passa
os coqueiros à minha frente
e eu me sentindo distante e diferente

Longe da minha terra do sol quente
as folhas das árvores balançando ao vento
eu deitada no chão de grama
a tarde vai findando
e eu termino meu poema
ao som de um sotaque italiano.


Luciene Rêgo
09/08/2016

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Me lembro da escola



Imagem acessada em https://www.pinterest.com/pin/132011832799987625/ em 13 de agosto de 2015




Me lembro da escola
os meninos jogando bola
as meninas brincando
e eu ali de canto
sempre deixada de lado
perguntava o porque
ninguem sabia o que dizer
vários apelidos:
neguinha, cabelo de bombril,
nega do cabelo duro que não gosta de pentear!
queria saber o que fiz
para isso merecer

depois fui crescendo
 meu corpo foi mudando
e eu me questionando
se isso ia mudar
se aqueles meninos
um dia iam parar de me xingar

aí na escola eu ´tava tão feliz
ia ter aquela festa
tudo que eu sempre quis
me produzi, me arrumei,
meu cabelo alisei
tudo aquilo pra ser aceita
mas para eles eu não  passava
de uma neguinha, feinha,
cabelo de bolinha
(e agora alisada)
ficava sempre (na minha) quientinha

Só existiam as meninas brancas
ou "morenas" de cabelo liso
eu não entendia nada disso
para mim nada fazia sentido
por mais que eu me arrumasse
meu cabelo estirasse
era como se nada importasse

em casa só problemas 
minha vida era um dilema
sempre muitas brigas
abriam em mim uma ferida
eu não era compreendida

e aquela menina crescia
mas dentro dela
um ódio também nascia
de toda aquela gente
que gente deprimente

aí eu conheci o hip hop
me aceitei como mulher preta
e agora tudo mudou
hoje eu sei o que é o amor
sei quem eu sou
e me dou muito valor.


Luciene Rêgo
2009 (na Casa do Hip Hop -Parque Piauí- Teresina - Piauí-Brasil)


  

terça-feira, 19 de maio de 2015

Eu sou...


Imagem disponível em: <https://divinapresenca.com.br/2018/09/02/a-divina-presenca-eu-sou/>. Acesso em 13 Mai 2021.


Faço parte de um Todo
que forma o universo
dentro da minha realidade
escrevo este verso

O Todo somos nós
nós somos o Todo
somos um em muitos
muitos em cada um

Como é simples compreender
a realidade escondida
nada complicada
pois nela se resume a vida

Vidas que convivo
vidas que compartilho
vidas que me tocam
vidas em que eu existo

Presente passado e futuro
coexistem em um só momento
as informações se relacionam
compondo os pensamentos

Mente,corpo e alma
incontáveis dimensões
lugares que meu espírito passa
desfazendo as ilusões

Vários portais
a ciência explica através da física
mostrando muitos fundamentos
mas o importante é sentir
pois o coração é o único
capaz de permitir
que o Todo possa fluir...

As religiões de matrizes africanas
sempre tiveram este conhecimento
que o eurocentrismo
não soube compreender
e preferiu classificar
com o intuito de massacrar

A circularidade é o movimento da igualdade
a divindade se configura na horizontalidade
não impondo o respeito dominante
uma vez que onde há diversidade
convive-se com as diferenças
permeia a igualdade
e respeito através da convivência

Somos animais, plantas e somos gente
fazemos parte e compomos o mundo
não o vertical, que é regido pelo bem versus mal
mas o que é envolvido pelo Total....

Luciene Rêgo
19/05/2015
Inspirada por algumas vivências, leituras e conversas com Itamar Souza e Artenilde Silva.





segunda-feira, 20 de abril de 2015

Quem sou eu...


Imagem disponível em: <https://medium.com/living-out-loud/the-twin-flame-soul-connection-soul-signatures-18738da5775c>. Acesso em 13 Mai 2021.

O que eu sou?
de onde eu vim?
por que estou aqui?
por que tenho que passar por determinadas coisas?

Estas perguntas movem minha essência
sempre permearam minha vida
uma busca incessante de respostas
de uma saída

Eu sou uma soma do que vivi
das experiências que passei
das lutas que travei
das alegrias que somei

O ciclo se renova
o que aconteceu me avisa
a sabedoria confirma
o infinito é a prova

O som do mar está ecoando em meus ouvidos
vejo uma luz a brilhar
vejo uma porta aberta
onde quero e posso entrar

O meu eu espiritual me invoca
a minha essência me chama
é chegado o momento
não há porque correr

Quero ficar...
mas o vento me convida a continuar
a porta está lá, aberta
por que não entrar?

Quero sentir
quero viver
quero me reencontrar
re-existir? Pra que?

Então eu decidi
que eu vou me permitir
sentir cada detalhe
do meu ser....

Luciene Rêgo
20/04/2015
10:28



terça-feira, 23 de setembro de 2014

A intensidade do verbo amar..


Somar, diminuir, dividir e multiplicar
Estas são as quatro operações do verbo amar

Somar as vitórias
diminuir as derrotas
dividir as tristezas
multiplicar as alegrias

Um dia hei de encontrar
minha companhia do verbo amar
verbo simples de ser conjugado
porém difícil de ser explicado

Quem sabe um dia
este verbo eu irei vivenciar
com a plena certeza
assim como o ar que preciso respirar

Mas, para a felicidade ser plena
eu vivo cada momento
e ainda ouso acreditar...

Luciene Rêgo
23/09/2014

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Favela...






Favela, quarto de despejo
lugar do abandono
onde o pobre é depositado
sem esperanças de um dia dali sair.
A diáspora africana se repete na cidade brasileira
os políticos a cada ano pensam que me enganam

Negridade, negra cor, preta sou...
Esta é a cor que mais predomina
no lugar, onde a maioria de nós tem que voltar
depois de uma longa jornada de trabalho
árdua, nada fácil!
inclusive para as mulheres de vida difícil...

É preciso mudar esta situação!
Mas como?
Com informação, educação,
essa é uma solução

A cada dia o pão fica mais caro
a carne escassa
o arroz e feijão nem se fala
Foi o que restou para nossa raça

Para mim ficou a casa grande...
Onde também limpo o assoalho
Que nada se compara a meu barraco
E os meus braços cansados
Meus trapos
Quisera eu que fossem como as elegantes roupas
Que as madames da cidade iluminada vestem...
Eita vida ingrata!
Vida de preta favelada...

Mas lutar eu vou!
Vou honrar meu povo
meus antepassados
a minha mãe
guerreira que veio do interior
pra tentar dar à família
uma vida melhor...
Trabalhou na casa do senhor
e quando quis ir embora
teve que sair às escondidas
como se a escravidão
já não tivesse terminado

Hoje ela é professora
e eu também quero e vou ser
Posso não conseguir resolver nada
mas faço a minha parte
com muito coração e arte

As coisas que penso serem 
mais importantes desta vida
são:
Amor
Irmandade
Saúde
Prosperidade...
Saber ler
Escrever
Estudar para entender
como funcionam as leis
e lutar para nos defender
ou morrer tentando..
A minha parte eu vou fazer!
E você?


06/08/2014
Inspirada nas leituras de Quarto de Despejo de Carolina de Jesus e Negridade de Ruimar Batista