Quando retorno ao seio materno
nem sempre tão terno
O trauma está lá
A história faz parte de um arquivo
que continua vivo
no meu pensamento, palavra, lembrança
da adolescente e criança
Fazem parte da minha história
que o tempo não conseguiu apagar a memória
do acontecido
do dia mais triste da minha vida
do sangue que abriu em mim uma ferida
profunda e dolorida
Porém que fazem parte da minha narrativa
que não pode ser eliminada
tampouco invisibilizada
Porque quando retorno meu olhar
estou ali machucada
me vejo neste momento
triste a chorar
o choro do desalento
de anos de sofrimento
Será que é possível atravessar?
Ou a saída seria encontrar outro lugar?
Fica a pergunta que abre uma possibilidade
de escuta e outro percurso
Quem sabe até de um novo discurso
para aquilo que permanece eterno
Luciene Rego
10/12/2025
